Ao longo das ultimas três décadas temos buscado incessantemente desenvolver nas Instituições de Ensino Superior da Medicina Veterinária a preocupação com a oferta de conhecimentos científicos voltados à ictiopatologia, ramo que estuda doenças em peixes. Tradicionalmente sabemos que a Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade Federal Fluminense tem sido pioneira nesta área de conhecimento, principalmente no que diz respeito aos peixes marinhos.
Sabemos também que nos últimos anos as Faculdades de Medicina Veterinária da Universidade Federal de Uberlândia, da Universidade Federal da Bahia, da Universidade Federal do Paraná e da Universidade Estadual de Londrina têm em seu programa pedagógico o ensino da piscicultura, incluindo evidentemente, não só o planejamento, mas também, o manejo, a nutrição, a patologia, a terapêutica e outros aspectos necessários ao conhecimento do profissional. Mesmo com essas iniciativas, a piscicultura de águas interiores tem deixado muito a desejar em nossas academias.
O consumo mundial de peixe vem aumentando cada ano, não por se tratar de um produto de baixo custo no mercado consumidor, mas também por ser um alimento de alto valor nutricional. A China e a Noruega são os maiores exportadores e os Estados Unidos e o Japão são os maiores importadores de pescados. O Brasil tem uma piscicultura incipiente, porém, com um potencial enorme para desenvolvimento. Para que isto venha ocorrer é necessária maior atenção dos governos em todos os níveis; dos agentes de financiamentos e das Instituições de Ensino Superior de Medicina Veterinária e Zootecnia na capacitação profissional.
Não estamos exigindo um profissional pronto e acabado, mas chamando atenção para a responsabilidade que as academias têm de colocar no mercado profissionais que tenham visão econômica e social sobre a produção e a transformação do pescado.
A FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação) estima que se o consumo per capta se mantiver nos níveis atuais, a produção anual terá de crescer 40 milhões de toneladas para satisfazer a procura em 2030. A ONU (Organização das Nações Unidas) projeta para 2050 uma população na ordem de nove bilhões de pessoas e para alimentar estes seres será necessário promovermos uma adaptação em nosso comportamento, sobretudo na produção de proteína nobre, que é a de origem animal.
Por infinitos que possam nos parecer os oceanos, eles apresentam limitações em seus recursos e os seus ecossistemas são frágeis. A pesca predatória, quer em águas salgadas, quer em águas doces, é uma realidade e a falta de conhecimento tem levado a uma redução significativa na produção de pescados.
A pesca e a aquicultura, de forma direta ou indireta, desempenham papel essencial na economia como também são de fundamental importância para o sustento de milhões de pessoas em todo mundo, desde pescadores de águas interiores como rios, lagos e brejos até os homens e mulheres que trabalham em fábricas de produtos pesqueiros.
Urge a necessidade das nossas Instituições oferecerem obrigatoriamente a disciplinas que tratem da patologia, planejamento, alimentação, e terapêutica de peixes. E não é só. O manejo, a reprodução e a alimentação são temas que não podem deixar de ser obrigatórios para que os jovens profissionais possam atender às demandas do mercado.
O tradicionalismo no ensino já está ultrapassado. As mudanças que se fazem presentes em todos os campos da ciência e do conhecimento estão a exigir alternativas na postura educacional. Os profissionais, as Instituições de Ensino Superior e o País que desejar viver do passado fará parte de um capítulo da história, não será agente de transformações e nem estará criando oportunidades ao contingente enorme de jovens que disputarão o mercado.
As oportunidades, as quais o campo que a piscicultura descortina, são fantásticas, não só em termos de segurança alimentar, geração de emprego e renda, absorção de mão de obra qualificada, alimento de qualidade, mas como um forte componente social. O fortalecimento da atividade permite o retorno do homem ao campo, retirando a pressão humana das cidades. Dando dignidade ao homem e evitando o vício em bolsas disso ou bolsas daquilo. Vamos contribuir para formar o cidadão.
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