Palavra do Presidente
05/01/2012
DE OLHO NA CREDIBILIDADE
Séculos passados o homem primitivo acreditava que os deuses eram culpados e responsáveis por tudo. Desta forma, tudo que ocorria era obra dos deuses, que ora se encontravam contentes, ora mal humorados. Rituais existiam para homenagear ou pagar promessas, não importando a vida das pessoas, inclusive crianças. As condições de produção de alimentos, lazer moradia, etc. sofreram profundas modificações até os nossos dias. A ciência aliou-se à tecnologia e vem promovendo, a todo o momento, novos cultivares, redução na idade de abate, melhor conversão alimentar, aumento na produtividade animal e vegetal, enfim, é a busca constante e incessante para não só saciar a fome das populações, mas também ofertar nutrientes mínimos necessários ao desenvolvimento físico e mental do ser humano.

A natureza tem dado a sua contribuição para que não permitamos que a ideia malthusiana seja transformada em verdade absoluta, demonstrando a incapacidade do ser humano em reagir para promover alterações substanciais em seu sistema produtivo.

Nós não temos cumprido com o nosso papel, desmatamentos, poluição de água, lixo nas áreas urbanas e rurais, queimadas, gases poluentes crescendo dia a dia. O chamado mundo desenvolvido sem nenhuma preocupação com o futuro da humanidade, exemplos? Tratado de Doha que expira em junho deste ano sem nenhuma perspectiva de avanço, sobretudo após a reunião ocorrida no final do ano passado em Durban. A ganância em produzir mais, sem se analisar as consequências, tomando medidas que satisfaçam somente o presente e o futuro que seja uma incerteza, nos leva a desacreditar nos homens que detém o poder no chamado mundo desenvolvido. Assim, entendo não ser justo exigir dos países considerados subdesenvolvidos que sejam sacrificados para manutenção do bem estar das nações desenvolvidas.

Ora, que impasse, para onde vamos e o que aguarda aqueles que hão de nos suceder? Estamos assistindo, perplexos, a repetição de situações já vivenciadas anteriormente. As chuvas que assolam o nosso país não são novidades inéditas, nem os estragos que provocam, quer material, quer moral. Parece que nada é surpresa, pois as autoridades que deveriam ser responsáveis não vêm a publico dizer o porque de tal situação persistir. A ideia que temos é de que os pobres e desamparados devem ser extintos da face da terra. Não são nossos irmãos, são simplesmente pessoas descartáveis, portanto, impróprias, inconvenientes e não necessárias de apoio e proteção. Onde poderemos encontrar o poder publico assumindo seu papel?

Em Santa Catarina, Alagoas, Pernambuco, Minas Gerais, enfim, qual o município, estado e governo federal quem demonstrou sensibilidade efetiva com as consequências das chuvas, sem se considerar os aspectos preventivos. Tem-se noticia que recursos financeiros enviados a municípios com a função de construir novas moradias destinadas àqueles que foram atingidos pelo infortúnio, simplesmente acompanharam as águas das chuvas, caíram no ralo e nos bueiros da falta de consciência e irresponsabilidade de autoridades constituídas que sem nenhuma vergonha ainda conseguem vir à mídia para tentar justificar seus erros.

A vida é uma dádiva divina, ninguém tem o poder de desfazer de vidas de seus semelhantes, mas não é o que acontece em nosso país onde a falcatrua, a corrupção e o desmando campeiam e são acobertadas em nome de partido, de sectários e cupinchas. A lei é clara, o crime ocorre sob duas formas: por omissão ou por comissão, logo, quem omite socorro, quem omite prevenção, está cometendo ato ilegal, portanto, criminoso.

Dizem que o povo tem memória curta e, tudo indica que esta afirmação é verdadeira, pois quando chega a época de eleição, os governantes que prometeram e não cumpriram apresentam novas promessas e convencem o eleitorado, se reelegem. Anotem o nome desses governadores, prefeitos, vereadores, deputados e senadores e deem-lhes as respostas nas urnas. Procuremos aqueles que são honestos e tem demonstrado que neles é possível confiar.


Médico Veterinário Benedito Fortes de Arruda
Presidente

 









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